
Hoje
nos despedimos! Ou quase. Percorremos um longo trajeto.
Valeu
a pena? Tudo valeu a pena? Acredito que sim. Valeu por cada um que, durante o
curso, demonstrou sensibilidade, sensatez e espírito de equipe, àqueles que se
tornaram inesquecíveis em nossa memória. As relações interpessoais fizeram com
que diferenças e similaridades fossem sinônimas de igualdade, o que
possibilitou a compreensão e a enculturação da turma.
Foram
tantos mestres, metodologias diferentes, uma amplitude de sentimentos, emoções
intensas, alguns desenganos por confiar demais, incertezas nas relações,
derrotas que se transformaram em concepções para conquistas de espaços,
individuais ou coletivos, mas que contribuíram para o crescimento da turma.
É
hora de assinarmos a autoria deste livro.
Não
é o fim! Não estamos nos despedindo um do outro! Sabemos que muitos trilharão
seu próprio caminho, porém, na nossa memória, ficará a lembrança de encontros e
desencontros que geraram divergências, mas, ao mesmo tempo, nos uniram. De
colegas de sala, passamos a companheiros de caminhada. O presente que
oferecemos é a amizade àqueles que nos quiseram bem; o nosso perdão àqueles
que, por motivos alheios à nossa vontade, não nos compreenderam nem se fizeram
compreender; e os que, por algum motivo, nos deixaram numa saudade antecipada
ficarão gravados num retrato sempre presente na memória.
Chegamos
ao final do Ensino Fundamental com a consciência do dever cumprido. Valeu pelos
frutos gerados e pelo aprendizado que também servirá para a vida. Se não houver
frutos, valeu a beleza das flores; se não houver flores, valeu a sombra das
folhas; se não houver folhas, valeu a intenção da semente que foi plantada em
suas mentes e que pode germinar a qualquer momento.
Valeu
pelo tempo que passamos juntos, pois, muito mais do que lições acadêmicas,
aprendemos e ensinamos lições de vida. O sentimento adquirido despertou um
senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do
que é moralmente correto. Devemos instruir-nos para abranger as motivações do
dia a dia, nossas fantasias e nossas angústias, para assim determinarmos com
exatidão nosso lugar na sociedade.
Valeu
pela saudade que a despedida deixa. Sabemos que ela vem acompanhada da possível
distância, mas não conseguirá apagar de nossas mentes a lembrança dos momentos
que passamos juntos. Ficarão as recordações das brincadeiras em sala de aula,
dos risos, das reuniões na hora do recreio, dos trabalhos em grupo, das
mensagens passadas através do celular, em tampas de canetas, em um piscar de
olhos... Só quem pertenceu a tudo isso sabe do que falamos.
Devemos
ter em mente, agora, que o que realmente valeu não foi o ponto de partida ou de
chegada, e sim a caminhada. Quem continuar junto, que saiba aproveitar o
restante do percurso e caminhe de mãos dadas. Quem for partir, saiba que o
próximo período em que estaremos juntos pode ser incerto, pode ser breve, pode
demorar o suficiente para esquecermos algumas faces; no entanto, relevante é
saber que aqueles que deixaram seus rastros marcados em nosso coração sempre
saberão o caminho.
Este
é o momento de erguer um monumento, de fazer saber a cada um, mesmo com poucas
palavras, que você é inesquecível. Fale! Expresse seu sentimento! Um abraço
vazio de sentido não traduz nenhum sentimento, mas, se ele levar o pulsar de um
coração amigo, certamente aquecerá por muito tempo a lembrança de quem o
recebe. Portanto, levante-se da comodidade em que está e aborde um amigo, mas
não se esqueça daquele que não foi tão amigo. (Brincadeira: abraçar a todos.)
Chegou
a hora de agradecermos. Obrigada aos professores que nos acompanharam desde o
começo do curso, aos que passaram rapidamente e deixaram também suas
contribuições, aos funcionários e também a nossos familiares. Obrigada a vocês
que compartilharam os prazeres e as dificuldades desta jornada. Partamos
confiantes em busca de nossos ideais, pois o Ensino Médio é um despertar para o
futuro que nos aguarda. (Hora do abraço de gratidão e cochicho com os
professores.)
Nossa
convivência até aqui ainda não indica a direção a seguir. Já justificamos o
coleguismo, perpetuamos a união, denunciamos a inconsequência, reprovamos o
desalento. Agora é hora de julgarmos o destino culpado e absolvermos a
solidariedade.
Quando
amamos o que fazemos e acreditamos, do fundo de nossa alma, em algo,
sentimo-nos mais fortes que o mundo, e nossas atitudes são serenas a ponto de
despertar a certeza de que nada poderá vencer a nossa fé. Surge uma força
estranha que nos ajuda a tomar a decisão certa, na hora exata e, quando
atingimos nossos objetivos, ficamos surpresos com nossa própria capacidade.
Agora,
faz-se necessário ampliar cada sinal que aponte o norte, pois irão surgir novas
e diferentes conexões, nas quais a afeição e a conquista estarão sempre
presentes. Assim disse Fernando Pessoa: “Valeu a pena? Tudo vale a pena se a
alma não é pequena.”
Aula da Saudade do 9º Ano de 2012 do Patronato Sousa Carvalho
Autoria de Osorio Soares Gomes
Parabéns, belíssimo texto. Permissão para fazer alguns recortes e anexar às minhas mensagens para os meus alunos.
ResponderExcluirApesar da escola não ter lhe respondido, fico feliz de poder contribuir. Sou o autor do texto.
ExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ExcluirOi, boa tarde! Texto maravilhoso! Vou, como a professora Celinha, me apropriar de algumas partes para uma mensagem aos meus alunos da 3ª série, com a devida autoria. Obrigada.
ResponderExcluirBelíssimo texto! Peço permissão para expandilo e levá-lo aos meus alunos nas festividades finais..
ResponderExcluirDesde já agradeço e parabenizo!
Excelente texto! Me emocionou bastante. E ainda tenho o privilégio de trabalhar com o autor do texto. Osorio Soares
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